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OS DIAS DO DEMÔNIO
A Editora da Universidade Federal de São Carlos em convênio com a Editora Mercado Aberto, de Porto Alegre (RS), é responsável por mais um épico na literatura brasileira. Trata-se de Os dias do demônio de Roberto Gomes - professor de Filosofia da Universidade Federal do Paraná. autor de um best-seller na área, o ensaio intitulado Crítica da Razão Tupiniquim, em 10ª edição, além de outras obras literárias. Atualmente Roberto é diretor da Editora da Universidade Federal do Paraná.
Em seu romance, o escritor constrói uma trama ficcional a partir de
conivências de políticos e do governo estadual da época
onde o crime praticado por jagunços margeia interesses de Companhias
contra os colonos: que participam desse modo como personagens da história
na defesa de suas terras. As dramatis personae do grande painel de Roberto Gomes incluem um governador, um chefe de polícia, deputados, um vereador, um médico, jagunços, farrapos e colonos, vítimas de uma disputa de terras ocupadas que as companhias loteadoras pretendem oficializar a posse. Outra relação configuradora do épico nessa obra está no arremate. O confronto geral que afinal não se deu encerra a narrativa com uma metáfora de certo modo edipiana ao colocar o autor em sua trama "dois olhos abaixo da aba do chapéu vazados, tentando agarrar-se aos restos amarelos do sol". A alegoria traz de volta o mistério da Tragédia sem uma definição para o flagelo individual sintetizado no homem a cavalo. As incursões atravessando o romance em torno dos colonos deixam antever uma dimensão demonológica, com forte indício sintetizado na velha com seus mortos e os urubus, logo no início da narrativa, à espreita dos jagunços entre as fronteiras da Argentina e do Paraguai. O Demônio é o cortejo do mal que os jagunços representam com a execução dos que se colocam contra as Companhias. A questão política de colonização tem as vistas para um possível desmembramento da região e a criação concomitante do Estado do Iguaçu. Neste jogo ficcional se lê que a arte do demônio é parecer outro. Uma alusão que remete a intrincadas implicações da cópia, do simulacro, do falso, sem a intenção de deter-se o autor na análise do que constitui o outro, e nem caberia, deixando todavia sinais nos "olhos vazados em baixo da aba do chapéu", cuja metáfora um comprometimento tácito com o psicológico na esteira do romance, todo ele preso à geografia paranaense, despontam os municípios de Clevelândia, Pato Branco, Francisco Beltrão, Santo Antônio, com o "banditismo na região, as valentias dos farrapos e a guerra santa do monge Zé Maria". Os dias do demônio possui as características de um linguajar autóctone, Estão ali expressões lapidares como o "dormir em cima de um pelego", o "sentar em alguma tora como se estivesse serrando", o "descansar a chaleira sobre a chapa do fogão". O realismo machadiano das metáforas denota os vínculos do escritor com o psicológico. Ficcionista do porte de um Dalton Trevisan, um Fernando Sabino, ambos refletindo as matizes neoclássicas de autores como Alexandre Herculano, Antonio Veira, Manoel Bernardes e outros. Roberto Gomes possui o acréscimo de um maneirismo que confere ao romance a autenticidade do falar paranaense.
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